Estudo sobre mudanças climáticas e os impactos na economia do Brasil é lançado no Rio de Janeiro.
2009-11-26 11:31:59
Relatório alerta para perdas de R$ 3,6 trilhões até 2050
Depois do lançamento oficial em Brasília, o estudo “Economia da Mudança do Clima no Brasil: custos e oportunidades”, foi lançado, na tarde de quarta-feira (25), no Rio de Janeiro. O relatório – inédito – concluiu que o país poderá ter perdas de até R$ 3,6 trilhões em 2050, caso nada seja feito para reverter os impactos da mudança climática.
O evento, realizado no auditório do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), no Centro do Rio, reuniu o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, além de alguns dos pesquisadores das 11 instituições que participaram do trabalho. Para Coutinho, o estudo aponta dados significativos que merecem da atenção dos setores públicos e privados.
“Eu tive a oportunidade de ler previamente este estudo e vi que as conclusões são realmente alarmantes. Os dados apontados merecem o respaldo de empresas públicas e privadas, além da sociedade, para reverter o quadro previsto para daqui a alguns anos”, ressaltou o presidente do BNDES.
O economista e pesquisador Sérgio Margulis, um dos coordenadores técnicos do estudo, apresentou os resultados da pesquisa, apontando que as questões mais preocupantes do relatório são o desmatamento da Amazônia e a queda na confiabilidade do sistema de energia. “O Brasil corre um grande risco se nada for feito para minimizar os impactos da mudança climática. Entre os problemas a redução do nível do mar é uma das mais preocupantes, pois vai comprometer o sistema energético do país, deixando aberta a possibilidade de mais apagões” – alarmou Margulis.
Para o ministro Carlos Minc, o estudo é de grande importância para o Brasil, pois aponta para a necessidade de tomar providências imediatas.
“Este estudo é de suma importância, pois foca um problema e nos aponta a direção. E não são apenas as autoridades que devem agir, mas iniciativas privadas e a sociedade também têm um papel fundamental de mitigação de riscos, pois todos somos afetados”, ponderou Minc.
Sobre as questões apresentadas, o ministro disse ainda que o Brasil deve começar a agir independentemente das ações dos demais países.
Diante dos números apresentados na pesquisa, não podemos ficar de braços cruzados esperando que o resto do mundo comece a agir. O Brasil tem metas para redução de emissão de gases poluentes, e uma meta muito ousada, aliás. Portanto, é arregaçar as mangas e começar a trabalhar”, finalizou o ministro, destacando projetos já implementados nas regiões da Amazônia e no Nordeste.